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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Escultura, tulipas e Facebook


Arte serve para quê? E, quanto custa? São questões eternas. Atualmente, ainda há a questão incomoda "o que é arte?". Ou "o que não é arte", como preferia Duchamp. A escultura em bronze "L'Homme Qui Marche I ", do suíço Alberto Giacometti, tornou-se a mais cara obra de arte vendida em leilão. A peça foi arrematada por módicos US$ 104,3 milhões, ultrapassando o recorde anterior de Picasso com o quadro "Garçon a la Pipe". Muitos se espantam com os altos valores do mercado da arte. Mas, na verdade, a arte é apenas o caso superlativo do que vemos todo dia: o preço da convenção. Status, por exemplo, é uma convenção social temporal. Houve tempo em que era legal ter uma charrete ornamentada ou usar uma enorme peruca branca rococó. E, como era símbolo de poder social, estas coisas custavam caro. Em 1637, a Europa teve uma enorme bolha especulativa quando as tulipas viraram moda. Um único bulbo foi trocado por uma enorme fábrica de cerveja, e outro alcançou o dobro do preço de um Rembrandt. Hoje, um bom exemplo é o Facebook, que está avaliado em US$ 6,5 bi apesar de ninguém saber como ganhar dinheiro com ele. Pois é, vai ver o cara que arrematou a escultura não gosta de tulipas...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Cuba libre


Um americano chamado Gilbert Brownstone doou ao Museu de Belas Artes de Cuba 120 obras de Picasso, Miró, Warhol, Duchamp, Lichtenstein e outros artistas. Segundo o caridoso senhor, "não há nenhum outro país que fez tanto pela cultura de seu povo quanto Cuba". Para um americano que vive em Paris, Cuba é realmente um lugar fantástico. Para uma blogueira cubana, já não é a mesma coisa. Yaoni Sánchez, 34 anos, é formada em letras e tinha um blog sobre cultura, política e cotidiano. Então, buscando "incentivar" o debate intelectual na ilha, o governo retirou o blog do ar, prendeu e ameaçou Yoani, deu umas porradas no marido dela. Voltando a Brownstone, ele já entregou pessoalmente 9 obras. Não sei quais foram, mas espero que ele tenha mandado este aí em cima, de Roy Lichtenstein. Acho que tem tudo a ver com a cultura local...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

La vie en rose


Uma mulher, sabe-lá-deus-como, tropeçou, caiu sobre uma tela de Picasso, e a rasgou. A obra danificada é "O Ator", da Fase Rosa. Pablo Piccasso é conhecido como o gênio do Cubismo. Mas, antes de revolucionar a arte, ele também teve sua fase figurativa. No início da carreira, pintou diversas telas que seriam chamadas de Fase Azul. Pessoas magras, tristes, melancólicas, eram retratadas em tons de um azul frio e depressivo. Um auto-retrato da vida difícil que ele passava. Mas, ao chegar a Paris, tudo mudou. Picasso conheceu Fernande Olivier e, num clichê de romantismo, passoua enxergar o mundo cor-de-rosa. A depressão deu lugar a pinturas em tons de rosa e terra, retratando arlequins, acrobatas, circos... Pois é, Picasso já havia descoberto a felicidade cor-de-rosa antes francesa antes de Edith Piaf.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O tudo e o nada


Este é o quadro Branco Sobre Branco do suprematista russo Kasimir Malévitch. Pintado em 1918, esta obra é o ápice da desconstrução da pintura iniciada pela arte moderna. Numa época que buscava romper a tradição figurativa da pintura, este quadro representava uma sobreposição de vazios, mas ao mesmo tempo uma ampla possibilidade, já que o branco é a junção de todas as cores da paleta. E, assim é o ano novo. As pessoas vestem o branco que contém tudo aquilo que elas esperam. Espera que Malévitch tenha acertado. Que venha 2010!

  © Blog 'Croquis' Bahia Vitrine 2009

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