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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Pense pequeno


E, já que falei em pequenos apartamentos espaços no post anterior, vai um móvel que combina bem com lugares reduzidos. Claro que todo arquiteto gosta de ter um espaço onde caibam, confortavelmente, todas as suas idéias, mas os pequenos espaços são mais desafiadores. Afinal, se os grandes espaços comportam todas as possibilidades, os espaços diminutos aceitam apenas as melhores soluções. Essa mesa foi projetada em 1953 pelo dinamarquês Hans Olsen. O espaldar das cadeiras encaixa perfeitamente sob o tampo da mesa, ideal para ambientes com pouca área para passagem. Há também a versão deste conjunto com cadeiras de quatro pernas, mas esta versão de três pernas e assento triangular permite que o diâmetro da mesa seja reduzido, o que acho mais condizente com a proposta. Mas, no apartamento que mostrei aqui embaixo acho que nem essa mesinha cabe...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Análise borgeana

Qual o limite entre fazer referência e copiar uma coisa? No conto "Pierre Menard, autor do Quixote”, Jorge Luis Borges trata deste tema. O conto relata o novo trabalho literário de Menard: reescrever Dom Quixote. Mas, não é adaptá-lo a uma nova linguagem. É, apenas, escrever palavra por palavra tal qual o original. Ele iria, então, copiar? Não, iria reescrever. Uma diferença sutil, mas conceitualmente imensa, segundo o autor. Isso porque o contexto em que Menard iria escrever a obra era completamente diferente ao vivido por Cervantes. Logo, apesar dos resultados iguais, os caminhos diferiam. Em 1955, Eero Saarinen lançou sua famosa cadeira Tulipa. Aí, em 1957, Erwine e Estelle Laverne lançaram a sua cadeira Champagne, declaradamente inspirada na Tulipa. Bom, não chega a ser um caso à la Menard, mas é bem próximo...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Para sentar e esperar os 15 minutos de fama

Numa época em que a arte moderna buscava romper com a arte figurativa, Duchamp foi além e rompeu com o próprio conceito de arte ao exibir seu famoso urinol. A partir daí, tem sido cada vez mais difícil distinguir a arte da não-arte. Andy Warhol resolveu, então, dar outro nó na arte. Decidiu pintar quadros com técnicas de produção em série, retratando objetos bem comuns. Em 1962 produziu uma de suas mais famosas obras: “100 latas de sopa Campbell’s”, que em 1964 foi reeditada na “Lata de sopa Campbell’s” (e depois foi re-reeditada em sei-lá-quantas-versões). E, já que a arte imita a vida que imita a arte, foi criado em 1973, pelo italiano Studio Simon, um banquinho em homenagem ao ícone da Pop Art. O banco é feito em metal pintado, como uma grande lata mesmo.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O ovo


Essa cadeira faz parte de minha infância. Passava horas brincando nela. E, sempre me chamou muita atenção ter em casa uma cadeira-ovo contrastando com tantas cadeiras-óbvias! A cadeira Garden Egg foi projetada em 1968 pelo arquiteto húngaro radicado na Alemanha Peter Ghyczy. Inicialmente, ele desejava fazer uma cadeira portátil, como uma mala, que pudesse ser facilmente transportada quando fechada, e fosse confortável quando aberta. Então, ao longo do processo de desenvolvimento, a forma de ovo surgiu, sem que houvesse uma intenção prévia. Com a nova forma, e as dimensões da peça, a cadeira perdeu a fácil portabilidade, apesar de ser relativamente leve, ter o encosto retrátil e possuir uma pequena alça na parte traseira. Mas, Ghyczy decidiu que o novo conceito era melhor que o inicial, e apostou na idéia. Apostou, e ganhou!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

To the dark side of the room


Essa é uma boa poltrona para o lado “oculto” da casa. Oculto no sentido de ser aquele canto onde o cara lê, escuta música, pensa na vida, no tecido do espaço-tempo, e nos últimos acontecimentos de Macondo. Enfim, um móvel lúdico para momentos idem. Com um desenho intrigante e elegante, a poltrona Pink Floyd foi projetada pela designer Candela Mosse, de Buenos Aires, e é feita de vibra de vidro. Diz a autora que foi inspirada no disco The Dark Side of the Moon e, por isso, o nome. Então, entrando no espírito da coisa, se eu tivesse que relacionar a peça com uma faixa do disco, escolheria Us and Them.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A inspiração de Panton?!

A cadeira Panton é, sem dúvida, um marco na história do design. Projetada em 1959/60* pelo designer dinamarquês Verner Panton, inovou ao ser feita de uma única peça de plástico injetado, e por ser empilhável. Com uma silhueta sexy e elegante, além do vermelho vibrante, é uma típica representante do design influenciado pela onda ficção-científica-corrida-espacial. Verner Panton foi um cara de vanguarda, ousado e arrojado. Mas, curiosamente, sua criação mais célebre teve um precedente não tão famoso, e meio desprovido de glamour. Em 1952, Gunnar Aagaard Andersen, conterrâneo e contemporâneo de Panton, desenvolveu um protótipo de cadeira em tela de galinheiro e papel de jornal, que deveria ser produzido, posteriormente, em fibra de vidro. Será que Panton conhecia o protótipo?!

* Apenas para deixar claro: apesar de projetada em 1959/60, a cadeira Panton só foi produzida em série em 1967.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Minha garota é Mãe West

Arte e arquitetura são coisas bem próximas. Na verdade, houve um tempo em que eram quase a mesma coisa. Hoje, a arquitetura é mais pragmática, e a arte mais... bem, ninguém sabe o que é a arte hoje. Falei disso rapidamente no texto que publiquei aqui mesmo no Bahia Vitrine, e revisitarei o colapso da arte contemporânea em outros textos. Mas, voltemos. Em 1934, quando o modernismo já destronava os excessos, Salvador Dali resolveu brincar com a relação arte/arquitetura retratando o rosto da então diva pop Mãe West com elementos que formavam um ambiente. Gostou tanto do resultado que, em 1936, lançou o sofá Mãe West, em homenagem à boca da atriz. Em 1970, o Studio 65 resolveu homenagear Dali redesenhando o móvel, mas, desta vez, utilizando os lábios de Marylin Monroe como referência. Lançaram, então, o sofá Bocca, que ficou muito bom. Mas, pra mim, bom mesmo ficou a Kiss, a versão poltrona do Bocca. Bom pela forma, melhor pelo nome. Resta agora alguém fazer a versão Angelina Jolie da peça...

  © Blog 'Croquis' Bahia Vitrine 2009

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