segunda-feira, 21 de março de 2011

Bruna Surfistinha, Sandy e a devassa de folhetim


O filme "Bruna Surfistinha" conta a história de Raquel Pacheco, uma rebelde-sem-causa que decidiu ser garota de programa menos pela revolta e mais pelo talento. Filha adotiva de uma família classe média, enfrentou os mesmos conflitos adolescentes que qualquer um. A diferença é que usou isso como um pretexto para entrar na prostituição. E, ao longo do filme, o pretexto se mostra fraco quando a vontade de sair dessa nova vida parece ser bem menor que a vontade de entrar. Em uma entrevista recente, Raquel, agora casada e "aposentada", disse sentir falta da liberdade dos tempos passados. Ou seja, ao seu ver, as coisas não foram tão ruins. Eu pensei que o filme seguiria uma linha Cinderela, da menina que sofre um bocado até ser feliz para sempre. Mas, grata surpresa, o filme é bem mais realista. A profissão escolhida por Bruna segue os mesmos caminhos de qualquer profissão: ascensão, queda, sofrimento, felicidade e prazer verdadeiro. Em um momento, Bruna diz: "Às vezes ver que o cliente me desejava valia mais que a grana que ele pagava pelo programa". É a típica satisfação de alguém que exerce a função que deseja.

Sandy sempre foi a menininha perfeitinha. Quase virou a nova namoradinha do Brasil. Só não foi de fato porque o Brasil não pediu a mão dela em namoro num jantar formal com a presença da família. Depois de anos cultivando a imaculada imagem de santinha, resolveu revelar suas travessuras de menina má. Pintou o cabelo de loiro, colocou as perninhas de fora e foi ser a musa do Carnaval da cervejaria Devassa. Logo caiu na internet um video de um programa de TV onde ela dizia que não bebia cerveja porque o gosto não a agradava.

Bruna Surfistinha é daquelas mulheres que só dizem sim, mesmo que seja só por uma coisa à toa, uma noitada boa, um cinema ou um botequim. Já Sandy sempre foi daquelas que só dizem não. Mas, por uma renda, aceitou uma prenda, fez as vontades e contou meias verdades. Mas, no dia seguinte, página virada, as travessuras foram descartadas do folhetim.

Bruna, além do dinheiro, fazia porque gostava. Com Sandy não tem esse papo de gostar do que faz. É só pagar que tá valendo...


quinta-feira, 3 de março de 2011

Galliano, Hitler e o beijo não dado...


John Galliano é um idiota típico dos dias atuais. Alçado à condição de gênio intocável, decide ir além dessa categoria pertinente a mortais e se autoproclama deus. E, vestido o manto divino, torna-se onipotente.

Envolvido numa briga de bar (ô, onde estava o glamour?!), bradou, imponente, que amava Hitler. Pois é, que pena... sinto dizer a Galliano, mas o amor não seria correspondido. Sorte dele não ter conhecido seu amado.

Muitos acham que o ódio de Hitler foi canalizado aos judeus por causa de alguma história mal resolvida de Jacó, Abraão, fuga da Galiléia, ou outra passagem que ocorreu naqueles tempos maravilhosos em que a Terra era um grande set de filmagens de um épico hollywoodiano, com milagres os mais diversos, gente conversando com Deus, Espírito Santo fazendo inseminação artificial e velhinhos abrindo o mar no grito. Mas, na verdade, os judeus eram apenas os inimigos mais próximos. Hitler acreditava na tal raça ariana, que seria descendente dos deuses da Atlântida. O delírio da tal raça ficou ainda maior com a ajuda de Heinrich Himmler. Se alguém acha Hitler louco e cruel é porque não conheceu Himmler. Essa doce figura comandou, apenas: o assassinato dos líderes da SA, todos os campos de concentração, todos os campos de extermínio, e as operações da SS. Além disso, inventou uma mitologia ariana louca que misturava deuses nórdicos medievais com mitos pagãos, hinduismo e Rei Arthur, organizou expedições arqueológicas que buscavam o Santo Graal, e inventou um programa de produção em série de arianos. Oficiais da SS engravidavam jovens recrutadas que se dedicavam exclusivamente aos bebês e, em vez de certidão de nascimento, essas crianças tinham um documento que as classificava como propriedade do Estado Nazista.

O que nunca entendi foi como um austríaco baixinho, feio, que escondia a careca com um penteado estranho, com um bigodinho ridículo e trejeitos efeminados podia ser o líder de uma raça de louros altos, fortes, bonitos, viris, de olhos claros e descendentes da pura linhagem germânica. Vai ver era só fetiche mesmo. Mas vamos lá. Os judeus eram os não-arianos mais influentes e em maior número na Alemanha. Logo, eram os inimigos mais próximos. Se no lugar dos judeus estivessem os turcos, bastante numerosos atualmente, eles seriam escolhidos como representação do mal. Então, basicamente, os judeus estavam no lugar errado e na hora errada. Só isso. Hitler não via a religião como problema, tanto que escreveu no doentio livro "Minha Luta": "Eu só via no judeu o lado religioso. Por isso, por uma questão de tolerância, considerava injusta a sua condenação por motivos religiosos". Imagine, Hitler falando de tolerância...

O problema mesmo era não pertencer à raça ariana. Ainda no "Minha Luta", no capítulo X, Hitler começa falando de como os franceses e os ingleses tentaram destruir a nação alemã criando um clima de ódio entre prussianos do norte e do sul, o que fortaleceu a influência judia.

Galliano é britânico, filho de mãe espanhola e radicado na França. Coitado. Seria executado antes mesmo de conseguir soltar um beijinho para o führer.

  © Blog 'Croquis' Bahia Vitrine 2009

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