segunda-feira, 31 de maio de 2010

O twitter de Nietzsche


Segundo o Houaiss, aforismo é uma "máxima ou sentença que, em poucas palavras, explicita regra ou princípio de alcance moral; texto curto e sucinto, fundamento de um estilo fragmentário e assistemático na escrita filosófica". Estes textos curtos foram usados por Hipócrates na clássica obra médica Os Aforismos, de fins do séc.XVI. Apesar da palavra derivar do grego aphorismós, este título só apareceu muito tempo depois, em III d.C, por influência dos eruditos alexandrinos, que já conheciam a derivação latina aphorismus. No Japão, há um estilo poético chamado haikai, onde os poemas são concisos e compostos de três curtas linhas. A filosofia alemã é famosa pelos textos longos, complexos e prolixos de Kant e Hegel. Mas, contrariando o estilo germânico, Nietzsche expôs grande parte de suas idéias através de aforismos, como este, de A Gaia Ciência: "o vencedor nunca acredita no acaso". Hoje, muito se fala de microcontos e livros produzidos a partir do twitter, a chamada twitteratura, composta de fragmentos de texto de até 140 caracteres. E muitos debatem sobre a validade das restrições do twitter como um estilo literário. Enfim, este debate pós-moderno já foi respondido. Basta ler o twitter de Nietzsche.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Os roubos de Picasso


Cinco quadros foram roubados durante esta madrugada do Museu de Arte Moderna de Paris. Entre elas estão obras de Picasso, Matisse, Braque e Léger avaliadas em 500 milhões de euros! Há quase 100 anos, em 21 de agosto de 1911, o roubo de outra grande obra de arte também envolvia o nome de Picasso. Mas ele não era o autor da obra... era o autor do roubo! E a obra era, apenas, a Mona Lisa! O quadro mais famoso do mundo foi roubado do Louvre num dia que não há visitação pública. Ninguém testemunhou o crime, e o mistério ganhou ares de literatura policial. A investigação foi comandada pelo Chefe do Departamento de Investigação Alphonse Bertillon, um homem tão famoso na época que foi considerado o maior especialista na solução de crimes do mundo, alcunha dada por Sir Arthur Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes. Para surpresa de todos, Picasso foi considerado um dos principais suspeitos. E o resto da história é sensacional. Quem quiser saber como terminou, é só ler o livro “Roubaram a Mona Lisa” (L&PM), da escritora americana R. A. Scotti.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A Copa é do mundo, mas o problema é nosso



Copa do Mundo é uma beleza! Principalmente pelo tal do legado. A Copa vai, mas a cidade fica com um sistema de transporte urbano eficiente, infra-estrutura completa, hotelaria avançada, vendedor de picolé bilíngue... uma maravilha! Pelo menos é o que dizem e o que a gente finge que acredita. Vejam o caso do Rio pós Pan 2007. Antes o Rio era uma cidade, depois do Pan o Rio se tornou... a mesma coisa. Ok, só pra não dizer que nada mudou, agora a cidade tem sei-lá-quantos apartamentos da vila dos atletas encalhados. Ou seja, a cidade ganhou um bairro fantasma. A África do Sul começa a se questionar o real preço de uma Copa. Parte da imprensa quer saber o que fazer com os super estádios depois do evento. Ontem foi inaugurado o último estádio africano, o Mbombela. O moderno estádio fica na cidade de Nelspruit e tem capacidade para 46 mil pessoas. O curioso é que a cidade tem apenas 21,5 mil habitantes! Então, façamos o seguinte: A África do Sul tem 40 homicídios pra cada 100 mil habitantes, o Rio 57. Em 2013 vemos os dados da África. Se as coisas melhorarem, fazemos a Copa. Se tiver a mesma coisa, não fazemos. Afinal, até lá a gente não vai ter feito nenhum estádio mesmo...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O anão e a pulga



Não tem como falar de outra coisa. O assunto dos próximos 40 dias é a Copa do Mundo. Ontem foi divulgada a lista dos nossos 23 jogadores. Em 2006 nossa seleção era espetacular, a nata do futebol mundial. Um time galáctico comandado pelo então extraterrestre Ronaldinho. Só que a vitória era tão certa que o pessoal resolveu comemorar antes e deu no que deu. Ou melhor, deu no que não deu. Hoje, nosso time não tem nada de espacial, muito menos de especial. E o E.T. está do outro lado: Messi. Enquanto o nosso anão Dunga optou pelas formigas operárias e dedicadas, o anão Maradona optou pela cigarra. Ou, como chamam os argentinos, escolheu La Pulga Messi. E o pior é que eu gosto tanto de futebol que torço pra esse cara fazer uma grande Copa. Seja lá no que isso der...
Então, vai aí em cima o vídeo da maior atração da Copa, que infelizmente não veste camisa amarela. E ao som de Rearviewmirror, do Pearl Jam! Comprei este disco com uns 13 anos, e quando ouvi essa música descobri que o grunge rock ia além do Nirvana.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Let It Beatles



Em 8 de maio de 1970 foi lançado o último álbum dos Beatles: Let It Be. A banda já havia acabado oficialmente um mês antes, transformando o disco numa espécie de obra póstuma. Inicialmente, iria se chamar Get Back, e era uma tentativa de Paul em, digamos, refundar os Beatles. Após o álbum branco, as coisas não iam bem. John era uma máquina de consumir heroína e LSD, e estava querendo seguir carreira solo com o apoio de Yoko Ono. George estava avesso à fama e mergulhado nas religiões indianas, com direito a longas meditações e aulas de cítara. Ringo... bem, Ringo era aquela coisa mais ou menos de sempre, tava lá mas não tava. E Paul ainda queria, e muito, ser parte da maior banda da história. Mas as coisas não foram bem, as gravações se arrastaram aos trancos, e a banda acabou antes da produção do disco. Aí, em vez de Get Back, foi chamado de Let It Be. E, até hoje, 40 anos depois, os Beatles se deixam ser...
Acima tem o video de Across the Universe, uma de minhas favoritas do disco, na versão de 2002 de Rufus Wainwright. O clipe é bem legal e faz alusão ao quadro abaixo, pintado em 1953 pelo surrealista René Magritte.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Arte de guerrilha

Foto: John MacDougall/AFP

A escultura acima foi posta em frente ao Museu Judaico de Berlim para divulgar uma exposição que trata da origem judaica dos maiores criadores de histórias em quadrinhos. A obra, intitulada 'Até os super-heróis têm seus dias ruins', é muito bem humorada. E, como toda arte contemporânea, tem seu lado publicitário. Afinal, o contexto da obra faz toda a diferença para o seu valor. Na verdade, ela exerce muito mais a função de peça de marketing de guerrilha do que de obra artística. O seu objetivo é chamar a atenção, notícia, comentário. Ou seja, é tão somente um outdoor num formato inusitado. E, como tal, é muito bom.

  © Blog 'Croquis' Bahia Vitrine 2009

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