terça-feira, 31 de agosto de 2010

Tempo


A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente...
Albert Einstein

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Auto ajuda quântica


Sei que a arte é irmã da ciência
Ambas filhas de um Deus fugaz
Que faz num momento
E no mesmo momento desfaz
Esse vago Deus por trás do mundo
Por detrás do detrás
Gilberto Gil




"Segundo a teoria quântica, existe uma probabilidade pequena, porém calculável, de que nós nos desintegrássemos na nossa sala de estar e fôssemos parar em Marte". Esse é um trecho do excelente livro Mundos Paralelos, do físico americano Michio Kaku. Nele, o professor aborda as loucuras decorrentes da física quântica. E, sem dúvida, a que mais impressiona é a possibilidade de existência de realidades múltiplas. E tudo isso por causa dos elétrons, esses "seres" abstratos que conhecemos no colégio. Descobriu-se que o elétron pode estar em todos os estados possíveis simultaneamente, e é a nossa observação que "cria" apenas um estado. Isso mesmo. Segundo a física, nós criamos a realidade pela nossa ação direta. Antes de nossa ação, tudo é possível. Logo, nós não construimos nossa vida, nós desconstruimos nossa vida...

Tive o privilégio de ser aluno do grande filósofo Saja. E, duas coisas que ele disse foram além do curso de arquitetura. Na primeira aula, disparou: "O que você está fazendo de sua única vida?". Em outra aula, teorizou que ao desenhar um círculo numa folha em branco você está, na verdade, excluindo a possibilidade do quadrado, ou do triângulo. Projetar seria, então, desconstruir todas as possibilidades até restar uma só. Só depois de um tempo descobri que a mecânica quântica habitava aquelas questões, e que a física teórica atual carrega uma enorme carga de filosofia e teologia. Afinal, o que Saja de forma tão brilhante nos mostrou é que nós não somos presos à nossa realidade, nossa realidade é que está presa a nós. 

A física quântica conseguiu transformar o acaso e o imprevisível em algo de uma beleza incrível, uma espécie de livre-arbítrio do universo. Em vez de pensarmos que algo é a única coisa possível, que aquilo é o que nos reservava o destino, temos por essa visão que um acontecimento foi a única possibilidade que se concretizou diante de todas as outras infinitas que se perderam.

Como disse o biólogo Richard Dawkins numa palestra genial onde falava do acaso da existência da vida e de como o ateísmo pode guardar uma visão otimista e bela:

"Indivíduos criam os próprios propósitos de vida. Crer que essa é a única chance que temos aprimora a nossa visão de mundo. Nós existimos por um acaso fantástico. Não desperdice a vida. Não haverá outra."

domingo, 22 de agosto de 2010

Detalhes nos tempos do cólera


Na grande obra "O amor nos tempos do cólera", Garcia Márquez faz uma reflexão sobre as escolhas da vida. E sobre a importância das pequenas cumplicidades, numa espécie de "Detalhes" em prosa longa...

Florentino Ariza era um jovem tímido que passava seus dias devorando livros. Mas sua vida muda ao ver a bela Fermina Daza, que desperta nele uma enorme paixão. Inseguro, Florentino a observa sem coragem de abordá-la, e começa a escrever longas cartas que nem sabe se serão lidas. Um dia, consegue fazer chegar a ela uma das cartas. De início, Fermina se sente confusa com a aparição repentina, mas logo se empolga pela descoberta de um mundo novo. Trocaram cartas que transbordavam um "incêndio de amor". Mas, apesar das declarações mútuas, Florentino se sentia inseguro em dar um passo adiante, pois ela era a herdeira de uma rica família, enquanto ele era apenas um aprendiz dos Correios sem meios para lhe garantir um futuro. Depois de dois anos de cartas, num mês de agosto, Florentino decidiu contrariar seu hábito de escrever cartas de dezenas de páginas, e num único parágrafo pediu Fermina Daza em casamento. Fermina, "num medo pânico, desabafou com a tia, que enfrentou a confidência com valentia e lucidez:
"Responda a ele que sim. Ainda que você esteja morrendo de medo, ainda que depois se arrependa, porque seja como for você se arrependerá a vida inteira se disser a ele que não."
Ela chegou a dizer-lhe que sim, mas voltou atrás pela pressão do pai e das convenções sociais. Apesar de triste, logo conheceu o promissor médico Juvenal Urbino, e nele viu a segurança de que precisava para ter a sua família. Com ele passou 50 anos. Teve filhos, netos, viajou o mundo e, acreditava, teve felicidade. Mas, no dia em que ficou viúva, recebeu a visita de Florentino, agora presidente da Companhia Fluvial do Caribe, e que nunca a esquecera. Nos dias seguintes percebeu que a imagem do marido que julgava perfeito desaparecia como se nunca o houvesse conhecido, enquanto "tomava consciência de que havia em sua vida um fantasma atravessado que não lhe dava um minuto de sossego". Então, teve a certeza de que havia construído a vida que sempre sonhara... mas com a pessoa errada. E decidiu viver os anos que lhe sobravam com aquele que sempre deveria estar ao seu lado. Fermina descobriu que a felicidade que possuiu no contexto geral de sua vida não era maior que a felicidade que continha os pequenos detalhes de suas confissões com Florentino. Fermina não ouviu seu coração, nem ouviu Roberto Carlos:
Não adianta nem tentar me esquecer
Durante muito tempo em sua vida eu vou viver...

Eu sei que um outro deve estar falando ao seu ouvido
Palavras de amor como eu falei, mas eu duvido
Duvido que ele tenha tanto amor
E até os erros do meu português ruim

À noite envolvida no silêncio do seu quarto
Antes de dormir você procura o meu retrato
Mas da moldura não sou eu quem lhe sorri
Mas você vê o meu sorriso mesmo assim

Eu sei que esses detalhes vão sumir na longa estrada
Do tempo que transforma todo amor em quase nada
Mas "quase" também é mais um detalhe
Um grande amor não vai morrer assim
Por isso de vez em quando você vai lembrar de mim...
Não adianta nem tentar me esquecer

Como disse o arquiteto Mies van der Rohe: Deus habita os detalhes.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Deserto


Eu tava triste, tristinho!
Mais sem graça
Que a top-model magrela na passarela
Eu tava só, sozinho!
Mais solitário, que um paulistano
Que um canastrão, na hora que cai o pano

Mas ontem eu recebi um telegrama
Era você de Aracaju ou do Alabama
Dizendo: Nêgo sinta-se feliz
Porque no mundo tem alguém que diz:
Que muito te ama!

Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...
Zeca Baleiro

O livro "O Deserto dos Tártaros" é uma obra gigantesca condensada em pouco mais de 200 páginas. Nele, é contada a vida do militar Giovanni Drogo. Drogo sempre sonhou em ser militar. E, mais do que isso, sempre sonhou em alcançar a glória na sua carreira. Mandado como oficial ao forte que vigia o Deserto dos Tártaros, Drogo viu ali sua grande oportunidade. Afinal, quando os tártaros chegassem para a guerra, ele os enfrentaria e se tornaria um grande herói. Mas o tempo passa. E os tártaros não vêm. E Drogo segue esperando pela guerra inexistente sem perceber que sua vida está passando tão vazia quanto o deserto que ele contempla diariamente. Após 30 anos, o já major Drogo percebe que os inimigos do passado não vão voltar. Nem os anos que ele perdeu...
"Drogo entendeu que transcorrera uma geração inteira, [...] que ele já ultrapassar o cume da vida para o lado dos velhos [...] sem ter feito na de bom, sem filhos, realmente só no mundo. Um nó apertava o coração de Drogo: adeus, sonhos de um tempo distante, adeus, coisas belas da vida."
Quem dera um telegrama avisasse o major da chegada dos inimigos, ou anunciasse um amor além dos muros. Mas Drogo esperou o seu destino trancado no forte. Deveria ter ido à padaria. Poderia ter sido ele a ganhar um beijo...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Escrevendo certo por linhas curvas

CAPA DA REVISTA PLAYBOY AGO/2010_______________________CENAS DO FILME BUDAPESTE

Nos últimos dias, por causa da FLIP e da Bienal do livro, muito se falou sobre livros digitais e livros de papel. Apesar do crescimento das novas tecnologias, poucos arriscam decretar a morte do livro como o conhecemos hoje. Eu tenho a minha teoria, mas isso é coisa pra outro texto. Em meio à discussão, a revista Playboy, em apenas uma foto, mostrou como o suporte pode interferir na experiência de ler, e como o meio físico pode sobreviver por abrigar um certo fetiche no manuseio. Mas, justiça seja feita, Chico Buarque já havia feito um elogio a esta literatura, digamos, mais orgânica. Em seu livro Budapeste, Kaspar Krabbe é um alemão radicado no Rio de Janeiro que contrata o ghost writer José Costa para escrever sua pseudo-auto-biografia romanceada. Numa das passagens mais fascinantes, Krabbe/Costa conta como começou a escrever um livro no corpo de suas amantes.
E foi na batata da perna de Teresa que escrevi as primeiras palavras na língua nativa. [...] e o livro já ia pelo sétimo capítulo quando ela me abandonou. Passei a assediar as estudantes, que às vezes me deixavam escrever nas suas blusas, depois na dobra do braço, depois na saia, nas coxas [...] e me pediam que escrevesse o livro na cara delas, no pescoço, depois despiam a blusa e me ofereciam os seios, a barriga e as costas [...] e o negro das minhas letras reluzia nas suas nádegas rosadas.
Pois é, o livro digital pode oferecer muitas vantagens, mas o livro físico ainda permite possibilidades bem interessantes...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Meu bem, meu mal

Você é meu caminho / Meu vinho, meu vício
Desde o início estava você

Onde o que eu sou se afoga / Meu fumo e minha ioga
Você é minha droga / Paixão e carnaval

Meu zen, meu bem, meu mal

Caetano Veloso


Amanhã é sexta-feira 13. Para muitos, um dia de maus presságios. Para outros tantos, como Zagallo e eu, um dia que pode abrigar gratas surpresas. E, sendo possível tanto o bem quanto o mal, lembrei de "Travessuras da menina má", de Vargas Llosa, onde bem/mal convivem numa linha tênua e tensa. Na Lima dos anos 50, o pré-adolescente Ricardo Somocurcio conhece a linda e intrigante Lily. Nasce ali uma paixão que poderia ser só mais um arroubo juvenil, não fosse o resto... Na década de 60, Ricardo realiza o sonho de viver em Paris, como tradutor na UNESCO. Tudo ia calmo até conhecer a militante comunista Arlette. Qual não foi a surpresa ao ver que aquela era, na verdade, sua quase esquecida Lily! E a paixão, antes adormecida, reviveu avassaladora. A partir daí a história ganha contornos fantásticos. Arlette-Lily e Ricardo se reencontram em vários cenários ao longo dos 30 anos seguintes. Ele, o mesmo Ricardo, ela, sempre uma nova identidade. Paris, Londres, Tóquio, Madri... Em cada lugar, Ricardito reedita cegamente seu sentimento. Já a menina má vive com ele momentos comedidamente sinceros, com sumiços intermitentes em busca de outras vidas. É como se a menina má sempre o guardasse para quando algo desse errado. E, de certo, ele sempre a recebeu, pois tinha a consciência de que sem ela "perdera as ilusões que fazem da existência algo mais que uma soma de rotinas", mesmo vivendo como quem nunca quis tê-la ao seu lado, num fim de semana, um chopp gelado em Copacabana. Em sua última aparição, a menina má está gravemente doente. E, quando percebe que pouco tempo lhe resta, percebe também o quanto lhe sobra de amor por Ricardo. E, apesar de tudo, o sentimento ainda é recíproco. No fim, ambos vêem o quanto o amor guarda do bem e do mal. Como numa sexta-feira 13, é só questão de ponto de vista e maneira de viver os acontecimentos. E Ricardo, tão letrado, bem poderia ter apresentado a menina má a Drummond:

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentir
o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado...

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...

Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Deus, Crumb e a vergonha terrestre

Ontem foi dia dos pais. Então, vou falar um pouco de Robert Crumb, que interpretou a mais célebre história de pais e filhos: o Gênesis. Atualmente, Robert Crumb é um dos desenhistas mais badalados do mundo. Nascido na Filadélfia em 1943, passou muitos anos como um artista underground, alternando alguns sucessos, muitos fracassos, instabilidades no casamento e LSD... muito LSD. Com um traço característico, que reflete toda sua angústia, conseguiu tornar-se cult. Tanto que veio ao Brasil participar da FLIP - Festa Literária de Paraty. Na sua adaptação em quadrinhos do livro Gênesis, Crumb, um ateu convicto, retrata a criação de uma maneira crua e direta, mostrando explicitamente as passagens mais polêmicas envolvendo cenas de nudez e violência. Mas, apesar de sua descrença, a obra não é uma crítica. Muito pelo contrário. Crumb foi fiel ao texto, que classificou como "poderoso, com camadas de significados que mergulham fundo em nossa consciência coletiva, ou consciência histórica”.

Crumb é tão avesso a badalações quanto descrente na raça humana. Tanto que não foi nem um pouco simpático com os fotógrafos nos dias que antecederam sua palestra na FLIP. Mas, na hora do evento, se mostrou afável, apesar da acidez de declarações tais como "Tenho vergonha de viver no planeta Terra". E, curiosamente, Terra mostrou bom motivo para vergonha. Não Terra, o planeta, mas Terra, o portal online. Ao comentar a falta de paciência de Crumb com o assédio da imprensa, o Terra estampou na sua capa: "Robert Crumb dá show de grosserias e mal humor na Flip". Isso mesmo: mal humor. E repetiu a barbaridade várias vezes no texto interno. A redação torta ficou assim por nada menos de 3 horas, até ser alterada. Crumb tava certo. Terra dá uma vergonha danada...


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O dia em que Datena superou Hitler

José Luiz Datena, no programa Brasil Urgente, protagonizou uma das maiores barbaridades a que já tive o desprazer de assistir. Ao vivo, em rede nacional, lançou sua grande teoria socio-filosófica: só há crime, porque há ateus. Isso mesmo. Após mostrar vários crimes hediondos, sentenciou que a causa era a falta de Deus no coração. Logo, os ateus são os culpados. E abriu uma enquete "você acredita em Deus?", conclamando a população a mostrar que o Bem ainda prevalece sobre o Mal. Vendo que havia gente se dizendo descrente, Datena prontamente falou que poderiam ser “bandidos votando de dentro da cadeia“, e seguiu proferindo frases como:

- "Ateus, sem a coerção da crença religiosa, não tem limites morais"
- "Quem não crê em Deus é capaz de cometer os piores crimes"
- "O mundo só está ruim assim por causa das pessoas que não acreditam em Deus"

Main Kampf é o título da monstruosidade escrita por Hitler nos seus tempos de cárcere pré-führer. O livro é a base de todo o pensamento doentio que norteou a Alemanha nazista. Nele, Hitler destila todo o seu ódio aos judeus, propondo o extermínio como um método rumo ao bem estar nacional, como dito neste "singelo"trecho: "Se, no começo e durante a Guerra, tivéssemos submetido à prova de gases asfixiantes uns doze ou quinze mil desses judeus, esses corruptores de povos, não se teria visto o sacrifício de milhões de nossos compatriotas das linhas da frente. A eliminação de doze mil patifes teria talvez influído sobre a vida de um milhão de homens honestos que muito úteis poderiam ser à nação do futuro."

Mas Hitler define o judaísmo como algo além de uma religião. Para ele o problema não é a crença, é o impacto da vida judaica na política, na economia, e no próprio conceito de nação: "Eu só via no judeu o lado religioso. Por isso, por uma questão de tolerância, considerava injusta a sua condenação por motivos religiosos."

Pois é... Hitler, que era cristão, não via a menor necessidade de condenar alguém por motivos religiosos. Já Datena não titubeou em classificar os não-partidários de sua crença como o Mal a ser combatido.

Hitler escreveu um livro de uma brutalidade perturbadora. Ainda bem que Datena é mais um analfabeto funcional com diploma de curso superior...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Os caminhos insólitos de Kafka

Kafka, pelo genial Robert Crumb

Mesmo após sua morte Franz Kafka continua construindo histórias inusitadas. Pouco antes de morrer de tuberculose, em 1924, Kafka pediu a seu amigo, e também escritor, Max Brod para queimar toda sua produção, que incluia desenhos, manuscritos de livros inéditos, e anotações as mais diversas. Mas Brod não cumpriu a promessa e guardou tudo. Quando morreu, sua então secretária Esther Hoffe, que muitos juram ser também amante, tomou posse do material. Durante anos ela guardou as coisas de Kafka num canto qualquer do seu apartamento, sem o menor cuidado com a conservação. Quando morreu, suas duas filhas herdaram a preciosidade e seguiram com a mesma metodologia de não se preocupar com a obra, nem deixar que outros se preocupassem. Aí o governo de Israel, onde elas moram, resolveu acabar com a bagunça e conseguiu uma ordem judicial obrigando-as a guardar tudo num banco. Resultado, há 50 anos o material esta guardado em Zurique, Suíça, e só agora vai ser aberto. Para finalizar, além de Israel, a República Tcheca (terra natal de Kafka), a Alemanha (toda a obra é em alemão)e as filhas da secretária brigam para ter a herança legal de todo o material. Semana passada as caixas-fortes foram abertas pela primeira vez para análise. Ninguém sabe, na verdade, o que realmente possuem, nem se sabe que fim terão. Isso é Kafka e seus caminhos insólitos...

  © Blog 'Croquis' Bahia Vitrine 2009

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