quinta-feira, 22 de abril de 2010

Viva a Gripe Suína


O Governo Federal está preocupadíssimo com a suposta epidemia de gripe suína. Tanto que gastou sei lá quantos milhões de reais para comprar a vacina. Neste ano, até o dia 9 de abril, foram registradas 50 mortes pela doença em todo o Brasil. Só em Salvador, no mesmo período, foram 444 homicídios. Ou seja, em vez de uma injeção no braço, deveriam distribuir coletes à prova de bala. Seria muito mais útil. Andar por Salvador me faz sentir a sensação de estar no quadro "O 03 de maio", de Goya, pintado em 1808. A obra retrata a brutalidade dos pelotões de fuzilamento no período de guerra. Na população executada, Goya exibiu os rostos de desespero e dor. Já no pelotão, não há rostos. Há apenas a impessoalidade da morte. É como Salvador. Não se sabe de onde virá o tiro, apenas sabemos que ele virá. Antes o problema de Salvador fosse a gripe. Viva a gripe suína...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Vou-me Embora


Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu num remoto 19 de abril, em 1886, ainda século 19! Mas, como todo grande escritor, rompeu esse conceito raso de espaço-tempo e se fez eterno. Bandeira é autor de um daqueles textos de mudar a vida. Quando li pela primeira vez "Vou-me embora pra Pasárgada" foi um choque. De repente, descobri que eu não era o único que queria comprar passagem para um universo paralelo. Aquelas palavras eram a representação de tudo que um garoto deseja. Anos após aquele choque, descubro que nada mudou. Ainda desejo Pasárgada...

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A revolução do conhecimento



Eu adoro tecnologia. Acho fantástico pensar que uma placa de silício do tamanho de uma unha pode processar informações criptografadas em número binário e transformar isso no que estamos vendo na tela do computador. É quase bruxaria! Eis aqui um produto realmente revolucionário, chamado Dispositivo de Conhecimento Bio-óptico Organizado, ou “Book”. O “Book” não possui cabos, não precisa de bateria e é compacto e portátil, ótimo para ser usado em qualquer lugar. No video são apresentadas todas as vantagens dessa maravilha da tecnologia! Viva o "Book"!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Triste fotografia


Em 1959, Moreira da Silva gravou um samba de Sebastião Fonseca e Cícero Nunes chamado Cidade Lagoa. A letra criticava o descaso da administração pública em relação ao crônico problema das enchentes. Em 1993, a EMI-Odeon lançou o CD "Moreira da Silva fotografa o Rio", tendo esta música como faixa de abertura. Hoje, 50 anos depois da gravação original, a música, infelizmente, permanece atual. Alguém deveria ter visto o álbum de fotografias de Moreira...

Essa cidade que ainda é maravilhosa
Tão cantada em verso e prosa
Deste o tempo da vovó

Tem um problema vitalício e renitente
Qualquer chuva causa enchente
Não precisa ser toró

Basta que chova mais ou menos meia hora
É batata, não demora
Enche tudo por aí

Toda cidade é uma enorme cachoeira
Que da praça da Bandeira
Vou de lancha a Catumbi

Que maravilha nossa linda Guanabara
Tudo enguiça, tudo para
Todo trânsito engarrafa

Quem tiver pressa seja velho ou seja moço
Entre n’água até o pescoço
E peça a Deus pra ser girafa

Por isso agora já comprei minha canoa
Pra remar nessa lagoa
Cada vez que a chuva cai

E se uma boa me pedir uma carona
Com prazer eu levo a dona
Na canoa do papai

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A arte por um hífen 2

Foto: Carl de Souza, AFP

Da Agence France-Presse:
Uma instalação batizada de "Art bin" (em português, "lixeira da arte") foi criada pelo artista britânico Michael Landy em uma galeria do sul de Londres, na Inglaterra. Trata-se de um grande contêiner pronto para receber o arremesso de obras de arte pelos seus visitantes. Durante a exibição, vários artistas foram convidados e jogarem ali obras de arte inacabadas ou rejeitadas.
Pois é... Bem que eu disse no post anterior que a arte está por um hífen. O que este cara chama de arte é uma lixeira gigante cheia de obras que não foram consideradas de valor artístico. Ou seja, ele diz fazer arte juntando um monte de não-arte. É como fazer uma feijoada utilizando não-alimentos. Ou alimentos podres. Bom, pensando nesta comparação, melhor que ele continue se dizendo artista...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A arte por um hífen

Uma escultura de Rebecca Warren

A arte não está por um fio. Está por um hífen mesmo. Vou explicar. Antes, leiam este trecho publicado pelo site G1:
A artista londrina Rebecca Warren, que concorre neste ano a um dos prêmios mais badalados da arte contemporânea, o Turner Prize, na Inglaterra, acaba de criar uma instalação que leva o que o público leigo chamaria de "lixo". São restos que ela encontrou no chão de seu ateliê e da rua onde ele fica.
Pois é... Percebam o detalhe mais importante da matéria, a palavra "leigo". Ao classificar o público desta maneira, os artistas criam uma blindagem contra críticas. Afinal, você só enxerga o lixo porque é leigo. Logo, sua cara feia é ignorância. Esse é o truque da arte atual. O importante não é o que está exposto, é a explicação do artista. É como um placebo, onde o importante é a bula. Como é vazia de valores próprios, apóia-se nas longas teorias incompreensíveis. Ou seja, tudo muito vazio e muito prolixo. Prolixo, mas bem poderia ser pró-lixo. A arte precisa de uma reforma ortográfica urgente. Ela está por um hífen...

  © Blog 'Croquis' Bahia Vitrine 2009

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