segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Análise borgeana

Qual o limite entre fazer referência e copiar uma coisa? No conto "Pierre Menard, autor do Quixote”, Jorge Luis Borges trata deste tema. O conto relata o novo trabalho literário de Menard: reescrever Dom Quixote. Mas, não é adaptá-lo a uma nova linguagem. É, apenas, escrever palavra por palavra tal qual o original. Ele iria, então, copiar? Não, iria reescrever. Uma diferença sutil, mas conceitualmente imensa, segundo o autor. Isso porque o contexto em que Menard iria escrever a obra era completamente diferente ao vivido por Cervantes. Logo, apesar dos resultados iguais, os caminhos diferiam. Em 1955, Eero Saarinen lançou sua famosa cadeira Tulipa. Aí, em 1957, Erwine e Estelle Laverne lançaram a sua cadeira Champagne, declaradamente inspirada na Tulipa. Bom, não chega a ser um caso à la Menard, mas é bem próximo...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Para sentar e esperar os 15 minutos de fama

Numa época em que a arte moderna buscava romper com a arte figurativa, Duchamp foi além e rompeu com o próprio conceito de arte ao exibir seu famoso urinol. A partir daí, tem sido cada vez mais difícil distinguir a arte da não-arte. Andy Warhol resolveu, então, dar outro nó na arte. Decidiu pintar quadros com técnicas de produção em série, retratando objetos bem comuns. Em 1962 produziu uma de suas mais famosas obras: “100 latas de sopa Campbell’s”, que em 1964 foi reeditada na “Lata de sopa Campbell’s” (e depois foi re-reeditada em sei-lá-quantas-versões). E, já que a arte imita a vida que imita a arte, foi criado em 1973, pelo italiano Studio Simon, um banquinho em homenagem ao ícone da Pop Art. O banco é feito em metal pintado, como uma grande lata mesmo.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

O ovo


Essa cadeira faz parte de minha infância. Passava horas brincando nela. E, sempre me chamou muita atenção ter em casa uma cadeira-ovo contrastando com tantas cadeiras-óbvias! A cadeira Garden Egg foi projetada em 1968 pelo arquiteto húngaro radicado na Alemanha Peter Ghyczy. Inicialmente, ele desejava fazer uma cadeira portátil, como uma mala, que pudesse ser facilmente transportada quando fechada, e fosse confortável quando aberta. Então, ao longo do processo de desenvolvimento, a forma de ovo surgiu, sem que houvesse uma intenção prévia. Com a nova forma, e as dimensões da peça, a cadeira perdeu a fácil portabilidade, apesar de ser relativamente leve, ter o encosto retrátil e possuir uma pequena alça na parte traseira. Mas, Ghyczy decidiu que o novo conceito era melhor que o inicial, e apostou na idéia. Apostou, e ganhou!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Simples assim



Quando escrevi sobre capela de São Bartolomeu do Qubus Studio, falei que o projeto de reforma de uma igrejinha numa pequena vila no interior da República Checa poderia parecer chato e desinteressante para a maioria. E, por isso, valorizei ainda mais a solução inovadora e ousada deles. Da mesma forma vejo este projeto do escritório Alan Chu & Cristiano Kato. Como muitos reagiriam à proposta de projetar a casa do caseiro? Alguns negariam, outros fariam meio contrariados e desmotivados... e outros encarariam como uma oportunidade para o inusitado. E, assim, foi criado esse belo projeto. Obviamente, deveria ser econômico e compacto. A partir disso, tiraram o maior proveito possível da geografia local, usaram materiais baratos e formas simples. Todos os ingredientes para um projeto ruim. Mas, mesmo assim, conseguiram o improvável. Realmente, um projeto muito bom.


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Criadinho-mudo


Aí está criado-mudo interessante. Projetado pelo designer inglês John Brabham, e batizado de 1FORMTABLE, o movelzinho possui a parte superior reta para apoiar telefone, copo d’água, controle remoto; e a parte inferior curva, ideal para livros e revistas, além de uma área especialmente criada para acomodar até 18 DVDs. Só acho que poderia ter uma altura maior.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

To the dark side of the room


Essa é uma boa poltrona para o lado “oculto” da casa. Oculto no sentido de ser aquele canto onde o cara lê, escuta música, pensa na vida, no tecido do espaço-tempo, e nos últimos acontecimentos de Macondo. Enfim, um móvel lúdico para momentos idem. Com um desenho intrigante e elegante, a poltrona Pink Floyd foi projetada pela designer Candela Mosse, de Buenos Aires, e é feita de vibra de vidro. Diz a autora que foi inspirada no disco The Dark Side of the Moon e, por isso, o nome. Então, entrando no espírito da coisa, se eu tivesse que relacionar a peça com uma faixa do disco, escolheria Us and Them.

  © Blog 'Croquis' Bahia Vitrine 2009

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